sábado, 5 de maio de 2012

Duração do casamento: um desejo ou um sonho?*



Duração do casamento:
um desejo ou um sonho?*
Deonira L. Viganó La Rosa
Terapeuta de Casal e de Família. Mestre em Psicologia.


            O desejo de durar está ali na origem do casal, que nasce do prazer de sonhar junto, de uma vida em comum. Um casal que não sonha mais junto, que não mais constrói projetos comuns, que não investe em seu futuro conjugal, é um casal que está morrendo.

Será suficiente sonhar junto para que tudo ande bem? Infelizmente, não. É necessário, mas não suficiente. Se o casal não acredita que sua felicidade é realizar seu sonho, então o sonho se torna ilusão; se o casal não se ajuda mutuamente com coragem e tenacidade, perseguindo a realização, o sonho aborta, vem a desilusão.

            Tome como exemplo este casal modesto que vive num apartamento com seus dois filhos. Seu sonho? Uma casa com jardim. Põe todas suas economias para comprar um terreno. Ele, que é do ramo, vai construir sua casa: não há mais fins de semana, nem férias, e ele faz duplas jornadas, mas avança. Quando sua mulher lhe pede que pare um pouco, não se importando se a casa atrasar, ele não a entende e continua. Neste momento, a casa deixa de ser o sonho dos dois, passa a ser o sonho dele que o mobiliza completamente a ponto de por em perigo sua felicidade conjugal, sua família.

A vigilância e a reflexão são sempre necessárias para ajustar sonho e realidade. De sonhos loucos a sonhos mais sábios, o casal ultrapassa etapas no caminho da maturidade, vive, dura.

Mas por que muitos casamentos não duram?
           Se o desejo de durar está inscrito na origem de todo casal, mantê-lo demanda muita energia de cada um. Ninguém pode reter à força seu companheiro ou, mais exatamente, constrangê-lo a amá-la. Pode mesmo haver casais que ainda vivem juntos, mas o casal está morto.

          Vivemos uma época onde a necessidade de duração não é mais uma condição para assumir a aventura de uma vida a dois. Roussel, demógrafo da família, nos diz "O casal mudou mais em dez anos do que em um século, a coabitação se generaliza, a taxa de divórcios aumenta... Portanto, a família é mais do que nunca uma referência, mas o casal tornou-se um pacto associativo que comporta uma implícita cláusula de ruptura".

           Paradoxo: Ao mesmo tempo em que o casal permanece sendo a chave dafelicidade compartilhada e um refúgio em um mundo profissional e social incerto e pouco terno, o engajamento com duração parece uma loucura. Vive-se junto, casa-se, sem querer projetar-se para o futuro: Vamos ver se isto vai durar! No fundo de cada um está a hipótese do divórcio, da ruptura que cada qual parece não saber esconjurar. Por quê? As causas são múltiplas: Medo, dúvida de si e do outro, meio (ilusório!) de se proteger contra um acontecimento doloroso, meio de desculpabilizar-se de antemão, hábito de assegurar-se contra tudo, conseqüências de feridas anteriores que impedem o nascimento da confiança. Elas vêm da história de cada um e são também alimentadas por nosso modelo de sociedade.

Um ato de fé
A aventura do casal é antes de tudo um ato de fé. Mas que, por vezes, é difícil. Como perseverar sem acreditar que isto é possível? Com efeito, um dos lados perversos da dúvida é que ela não dinamiza os cônjuges para ultrapassarem as primeiras dificuldades, as crises normais do casal.
Certos casais vivem sua enésima experiência conjugal. Vendo que encontram os mesmos problemas, eles se interrogam e procuram compreender... e dão-se conta que seu primeiro casal poderia ter ultrapassado as dificuldades tão bem quanto o atual, se eles não tivessem sido tão rápidos em acreditar que seria impossível...

  Para terminar
Lembremos que o divórcio se transforma em grande sofrimento, destrutivo de uma parte de si por cada um dos cônjuges. Com certeza, há divórcios que trazem alívio, quando a relação é dominada por elementos patológicos e mortíferos. Mas, na maior parte dos casos, a ruptura é vivida num movimento depressivo. Segundo a duração e a intensidade de sua vida conjugal, cada cônjuge deixa no outro uma parte de si; dor que se junta à perda do casal, perda de um espaço onde cada um acreditava tratar suas feridas e abrir-se em maior intimidade.

Intimamos a todos os casais, quer sejam debutantes, quer sejam mais idosos, a meditar esta reflexão de Pablo Neruda: "Eu te amo a fim de começar a te amar", eterno começo, infinitamente insondável, do amor...

* Baseado em texto de D. Balmelle, revista Alliance.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

CORREIO MFC BRASIL Nº 284


piritualidade e religião se complementam, mas não se confundem. A espiritualidade existe desde que o ser humano irrompeu na natureza, há mais de 200 mil anos. As religiões são recentes, não ultrapassam 8 mil anos de existência.

ESPIRITUALIDADE E RELIGIÃO
FREI BETTO

A
 religião é a institucionalização da espiritualidade, assim como a família é do amor. Há relações amorosas sem constituir família. Do mesmo modo, há quem cultive sua espiritualidade sem se identificar com uma religião. Há inclusive espiritualidade institucionalizada sem ser religião, como é o caso do budismo, uma filosofia de vida.

As religiões, em princípio, deveriam ser fontes e expressões de espiritualidades. Nem sempre isso ocorre. Em geral, a religião se apresenta como um catálogo de regras, crenças e proibições, enquanto a espiritualidade é livre e criativa. Na religião, predomina a voz exterior, da autoridade religiosa. Na espiritualidade, a voz interior, o "toque” divino.

A religião é uma instituição; a espiritualidade, uma vivência. Na religião há disputa de poder, hierarquia, excomunhões e acusações de heresia. Na espiritualidade predominam a disposição de serviço, a tolerância para com a crença (ou a descrença) alheia, a sabedoria de não transformar o diferente em divergente.

A religião culpabiliza; a espiritualidade induz a aprender com o erro. A religião ameaça; a espiritualidade encoraja. A religião reforça o medo; a espiritualidade, a confiança. A religião traz respostas; a espiritualidade suscita perguntas. As religiões são causas de divisões e guerras; as espiritualidades, de aproximação e respeito.

Na religião se crê; na espiritualidade se vivencia. A religião nutre o ego, pois uma se considera melhor que a outra. A espiritualidade transcende o ego e valoriza todas as religiões que promovem a vida e o bem.

A religião provoca devoção; a espiritualidade, meditação. A religião promete a vida eterna; a espiritualidade a antecipa. Na religião, Deus, por vezes, é apenas um conceito; na espiritualidade, uma experiência inefável.

Há fiéis que fazem de sua religião um fim e se dedicam de corpo e alma a ela. Ora, toda religião, como sugere a etimologia da palavra (religar), é um meio para amar o próximo, a natureza e a Deus. Uma religião que não suscita amorosidade, compaixão, cuidado do meio ambiente e alegria, serve para ser lançada ao fogo. É como flor de plástico, linda, mas sem vida.

Há que tomar cuidado para não jogar fora a criança com a água da bacia. O desafio é reduzir a distância entre religião e espiritualidade, e precaver-se para não abraçar uma religião vazia de espiritualidade nem uma espiritualidade solipsista, indiferente às religiões.

Há que fazer das religiões fontes de espiritualidade, de prática do amor e da justiça, de compaixão e serviço. Jesus é o exemplo de quem rompe com a religião esclerosada de seu tempo, vivencia e anuncia uma nova espiritualidade, alimentada na vida comunitária, centrada na atitude amorosa, na intimidade com Deus, na justiça aos pobres, no perdão. Dessa espiritualidade resultou o cristianismo.

Há teólogos que defendem que o cristianismo deveria ser um movimento de seguidores de Jesus, e não uma religião tão hierarquizada e cuja estrutura de poder suga parte considerável de sua energia espiritual.

O fiel que pratica todos os ritos de sua religião acata os mandamentos e paga o dízimo e, no entanto, é intolerante com quem não pensa ou crê como ele, pode ser um ótimo religioso, mas carece de espiritualidade. É como uma família desprovida de amor.

O apóstolo Paulo descreve magistralmente o que é espiritualidade no capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios. E Jesus a exemplifica na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10, 25-37) e faz uma crítica mordaz à religião em Mateus 23.

A espiritualidade deveria ser a porta de entrada das religiões. Antes de pertencer a uma Igreja ou a uma determinada confissão religiosa, melhor propiciar ao interessado a experiência de Deus, que consiste em se abrir ao Mistério, aprender a orar e meditar, penetrar o sentido dos textos sagrados.

*Frei Betto é escritor, autor de Um homem chamado Jesus (Rocco), entre outros livros.

MFC VITÓRIA DA CONQUISTA-BA PARTICIPA DA FESTA EM LOUVOR A NOSSA SENHORA DE FÁTIMA



O
 Movimento Familiar Cristão de Vitória da Conquista - Bahia participa da FESTA EM LOUVOR A NOSSA SENHORA DE FÁTIMA, que tem inicio nesta terça-feira, 1º de maio e prossegue de 04 a 13 de maio.

O evento, de fundamental importância para a comunidade católica, traz o tema “COM NOSSA SENHORA DE FÁTIMA PROFESSEMOS A FÉ NA SANTISSÍMA TRINDADE, CRENDO EM UM SÓ DEUS QUE É AMOR”.

A programação tem inicio na terça-feira – 1º de maio, com a Celebração Eucarística, às 7 horas. Às 8h30min, acontece uma carreata pelas comunidades urbanas que compõe a Paróquia. À noite, a partir das 19h30min, acontece a Celebração Mariana nas comunidades.

A partir do dia 04 de maio, diariamente, a comunidade católica participa de Celebrações Eucarísticas, Momentos Marianos, entre outras atividades em honra e glória a Nossa Senhora.

O Movimento Familiar Cristão será responsável pela Celebração Eucarística da segunda-feira, dia 07 de maio, celebrada pelo Padre Ricardo e animação do Grupo Magnificat.

No domingo festivo, 13 de maio, às 6 horas, Alvorada e em seguida o Momento Mariano (6h15min) e a Celebração Eucarística da Manhã (7h). Às 18 horas haverá a Procissão e a conclusão da “FESTA EM LOUVOR A NOSSA SENHORA DE FÁTIMA” será com a Celebração Eucarística celebrada pelo Frei Rubival Cabral Brito e animada pelo Grupo Louvemos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

ATRITOS


Ninguém muda ninguém;
ninguém muda sozinho;
nós mudamos nos encontros.

Simples, mas profundo, preciso.
É nos relacionamentos que nos transformamos.
Somos transformados a partir dos encontros,
desde que estejamos abertos e livres
para sermos impactados
pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras
que estão na nascente de um rio,
e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente são toscas,
pontiagudas, cheias de arestas.

À medida que elas vão sendo carregadas
pelo rio sofrendo a ação da água
e se atritando com as outras pedras,
ao longo de muitos anos,
elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos.
Sem eles, a vida seria monótona, árida.
A observação mais importante é constatar
que não existem sentimentos, bons ou ruins,
sem a existência do outro, sem o seu contato.
Passar pela vida sem se permitir
um relacionamento próximo com o outro,
é não crescer, não evoluir, não se transformar.

É começar e terminar a existência
com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.
Quando olho para trás,
vejo que hoje carrego em meu ser
várias marcas de pessoas
extremamente importantes.

Pessoas que, no contato com elas,
me permitiram ir dando forma ao que sou,
eliminando arestas,
transformando-me em alguém melhor,
mais suave, mais harmônico, mais integrado.
Outras, sem dúvidas,
com suas ações e palavras
me criaram novas arestas,
que precisaram ser desbastadas

Faz parte...
Reveses momentâneos
servem para o crescimento.
A isso chamamos experiência.
Penso que existe algo mais profundo,
ainda nessa análise.
Começamos a jornada da vida
como grandes pedras,
cheia de excessos.

Os seres de grande valor,
percebem que ao final da vida,
foram perdendo todos os excessos
que formavam suas arestas,
se aproximando cada vez mais de sua essência,
e ficando cada vez menores, menores, menores...

Quando finalmente aceitamos
que somos pequenos, ínfimos,
dada a compreensão da existência
e importância do outro,
e principalmente da grandeza de Deus,
é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado?
Sabemos quanto se tira
de excesso para chegar ao seu âmago.

É lá que está o verdadeiro valor...
Pois, Deus fez a cada um de nós
com um âmago bem forte
e muito parecido com o diamante bruto,
constituído de muitos elementos,
mas essencialmente de amor.
Deus deu a cada um de nós essa capacidade,
a de amar...
Mas temos que aprender como.

Para chegarmos a esse âmago,
temos que nos permitir,
através dos relacionamentos,
ir desbastando todos os excessos
que nos impedem de usá-lo,
de fazê-lo brilhar

Por muito tempo em minha vida acreditei
que amar significava evitar sentimentos ruins.
Não entendia que ferir e ser ferido,
ter e provocar raiva,
ignorar e ser ignorado
faz parte da construção do aprendizado do amor.

Não compreendia que se aprende a amar
sentindo todos esses sentimentos contraditórios e...
os superando.
Ora, esse sentimentos simplesmente
não ocorrem se não houver envolvimento...

E envolvimento gera atrito.
Minha palavra final: ATRITE-SE!

Não existe outra forma de descobrir o amor.
E sem ele a vida não tem significado.
Roberto Crema

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Onde fica o céu? (Por Jorge Leão)




Ainda vigora entre nós um discurso religioso amortecedor das reais implicações da vida. Nos meios católicos e protestantes, estatisticamente os grandes representantes do cristianismo no Ocidente, é possível ainda ouvir-se expressões como “céu, inferno e purgatório” como lugares, dimensões físicas, de caráter póstumo, isto é, espaços geográficos situados além da morte. Vigora ainda a triste idéia de que a morte, por si mesma, seria capaz de amenizar as culpas e máculas de alguém, pelo simples fato de desejarmos que um ente querido, já falecido, esteja na eternidade, ao lado de Deus, como a dar a ele um prêmio automático.
São visões de Deus bastante infantis, que endossam uma relação de profundo distanciamento com a realidade. Muitos segmentos intitulados “cristãos” promovem atualmente uma liturgia sensualista, onde as pessoas precisam de um manto branco, ou de medalhas no peito, ou mesmo das propagadas bênçãos. É impressionante como há bênçãos hoje nos lembretes ao final das liturgias; há bênçãos para tudo, para garganta mal curada, para empresários falidos, para filhos que irão fazer o concorrido vestibular, ritos especiais onde se encontram velas com poderes de expulsar os males que se fincam na casa dos devotos, corredores abençoados por gritos e êxtases, as romarias e caravanas para verem formigas que tecem a face de Maria em folhas caídas pelo chão, peregrinações e sacrifícios a santuários exigindo esforços corpóreos ultra-humanos, e tantas outras proclamações de crença ritualista, que em nada aprofunda o amor e a justiça, os pilares centrais da mensagem de Jesus de Nazaré para a vida concreta, sem disfarces pretensamente imaculados ou estratégias psicológicas de sedução pelas fraquezas ou necessidades materiais de quem neste tipo de crença adentra. Fato este que facilita por demais a entrada neste falso céu geográfico, que nos distancia da mensagem de Jesus de Nazaré.
Isto é, em muitos discursos religiosos de hoje há práticas de alienação patrocinadas por televisão e rádio, que não fazem nada mais que fabricar ilusões e mentiras para o povo, pois, nestes lugares, não interessa a verdade, mas uma manutenção garantida de benesses e privilégios com o poder político constituído. Assim, vemos também denominações religiosas das mais variadas origens proclamando nada mais do que marketing religioso, muito bem elaborado por sinal, apenas com o intuito de ter já aqui na terra o desejado céu sem dívidas, problemas e contradições, como prega há séculos os poderes religiosos que se dizem cristãos. É um céu que o ego fabrica. É ganhar na loteria de Deus. É ter sozinho a mega-sena acumulada por anos e anos de serviços prestados à igreja do Senhor. A recompensa então é o justo prêmio, e um lugar no céu, a vitória merecida.
Mas falar disso em público, e pior ainda dentro das igrejas, amedronta um vasto segmento de prosélitos que julgam e condenam a quem o faça de “herege”, ou de “falso profeta”. A reação hoje é tão violenta quanto nos tempos de Jesus ou na Idade Média, apenas a forma mudou e se aperfeiçoaram os métodos. Não se acendem mais fogueiras, mas se impõe o silêncio àqueles que porventura ousarem transpor os limites da crença institucional e adentrar fundo no Evangelho do Cristo. Proíbe-se a publicação de livros de teólogos considerados desobedientes e perniciosos. Cala-se a voz dos pastores que andam ao lado dos pobres, e contra o poder dominante dos chefes e autoridades que se sentam nas primeiras poltronas dentro das catedrais. Infelizmente, percebemos que permanecer preso a um discurso marcado por interesses humanos estreitos e opressores sempre foi uma marca histórica das religiões cristãs no Ocidente, isso, como sabemos, desde Constantino Magno, no início da falsificação da mensagem do Cristo em doutrina religiosa, com o Edito de Milão, em 312 d.C. Mas, como se sabe pelo Evangelho, o medo só nasce da ignorância, e todo mal se abate àquele que desconhece que a mensagem do Reino de Deus não possui amarras com a ideologia da culpa, da punição ou de um falso céu póstumo. O Mestre já advertira: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino!” (Cf. Lc 12, 32), e ainda: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Cf. Jo 8, 32).
Entretanto, para muitos líderes religiosos ditos “cristãos”, seduzidos pela situação cômoda de gozar de um status social privilegiado, não seria interessante proclamar a verdade às claras. Isso desmoronaria um castelo de cartas armado há séculos para enganar as massas, inviabilizando a elaboração de uma liturgia dominical repleta de sensacionalismos, como a dizer: “esperem mais um pouco, rebanho obediente, Jesus já está chegando”. Enquanto isso, nós, como Pedro em suas negações, covardemente esquecemos que este mesmo Jesus causou divisões em seu tempo (Cf. Lc 12, 51; Mt 10, 34), a começar pela própria estrutura religiosa do templo de Jerusalém (Cf. Jo 9, 13-41; Mt 23, 13-32), responsável pela conspiração de seu assassinato (Cf. Mt 26, 1-5). Mas, como se observa hoje, é mais cômodo dizer que Jesus veio ao mundo para padecer por nossos pecados, como ovelha obediente aos seus algozes, do que trazer uma mensagem de libertação integral ao ser humano, a partir do livre-arbítrio de cada um, e da responsabilidade em assumir tal decisão, a que Jesus chama de “carregar a sua cruz” (Cf. Lc 14, 27). É mais fácil proclamar o martírio do cordeiro (como o fez Paulo de Tarso em sua carta aos Romanos, ver Rm 5, 8-10) do que caminhar passo a passo com ele rumo ao Gólgota. Assim, entra ano e sai ano e os discursos sobre a morte e paixão de Jesus se repetem para manter o mito oportuno do bode expiatório. É importante que alguém morra para amenizar nossas culpas e nos livrar do inferno. É oportuno administrar a mentira, para receber um prêmio celestial depois da morte, onde todos os que proclamaram e seguiram a mesma mentira se encontrarão, segundo o seu desejo, para dizer: “viram como foi necessário todo aquele suplício na terra? Afinal de contas, onde estamos agora? No céu... E aqueles arruaceiros, os hereges, inimigos da igreja? Todos no inferno, que é o lugar dos que desobedecem a Deus e aos seus santos ministros!”...
Enquanto isso, na periferia do mundo o diabo anda solto, e o povo empobrecido permanece excluído das igrejas em seus cultos dominicais, com sua voz calada pela fome, pelo tráfico de drogas, pela morte de crianças por desnutrição, pela falta de escolas públicas e hospitais que atendam às suas necessidades materiais míninas, por doenças estrategicamente proclamadas como “incuráveis”, enfim, por calçadas invadidas pelo esgoto mal-tratado de nossas orações dominicais. Vejamos, então, que tipo de pregação nós estamos a seguir em nossos encontros dominicais. Não percamos de vista que “não existe discípulo superior ao mestre, nem servo superior ao seu senhor” (Cf. Mt 10, 24). Por isso, toda garantia de um céu exclusivista, fechado em seus dogmas e em suas colunas de bronze e calçadas de mármore, serve justamente para distanciar a mesma massa faminta da raiz de seus problemas, a saber, o egoísmo humano, manifestado historicamente pelo sistema capitalista, dominante a partir das grandes navegações européias, empreendidas com o aval do catolicismo romano e depois pelo vínculo sócio-econômico com o protestantismo, a partir do século XVI, vindo a dizimar povos, culturas e tradições em nome de um falso Deus.
Ora, como se observa, o discurso sobre o céu geográfico constitui apenas uma das inúmeras facetas de domínio ideológico religioso contemporâneo, que é muito mais violento que a morte na fogueira medieval, pois passa sutil e silenciosamente de geração em geração, a cada novo discurso mentiroso que se fabrica dentro das igrejas, reproduzindo, a partir das crianças, a imagem de uma recompensa final todo o bem que fizermos aqui na terra. Com isso, a liberdade de proclamar a verdade foi perdida, e hoje se encontra completamente calada, no momento em que se optou pelo poder político, e por todos os privilégios advindos dos anéis de ouro nos dedos e da cruz pendurada na parede de nossas repartições públicas. É bem mais interessante para o ego, que é alimento pelo poder, pelo ter e pelo prazer (Cf. Mt 4, 1-11; Lc 4, 1-13), ser aclamado como autoridade e representante oficial de Deus na terra, e como vínculo de aproximação com o próprio Deus, por ter um cargo dentro de uma hierarquia eclesiástica. Isso sempre encheu os olhos dos que se deixam seduzir pelas tentações do deserto do ego, afastando-se do Mestre de Nazaré, que, como nos diz o Evangelho, “não tinha onde reclinar a cabeça” (Cf Mt 8, 20), e que enxugou os pés de seus discípulos, e proclamou: “se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Cf. Mc 9, 35). Essas verdades, para serem libertadoras, precisam partir de alguém que não tenha compadrio com o dinheiro, com o prestígio e com a imaculada bajulação das autoridades farisaicas que continuam esperando seu lugar no céu, certamente, pela última reforma no teto da catedral da cidade. Vejamos e escutemos o Evangelho do Cristo, estando atentos à voz do Mestre: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Cf. Mt 6, 24a).
Por isso, assim como nos ensina o Evangelho, o céu é um estado de espírito, de nossa consciência, e está dentro de cada um de nós e no meio de nós (Cf. Lc 17, 20-21), pela nossa livre adesão ao amor e à justiça, assim como o inferno de nossas culpas e pecados. Nós mesmos criamos nosso inferno, e nós mesmos saímos dele. Nós mesmos criamos condições de céu, e nós mesmos as desfazemos. O estado de céu só terá real valor se for compreendido a partir de nossas atitudes e de nossas ações, quando dizemos sim ao amor, à justiça e à fidelidade ao projeto de Jesus de Nazaré. Por isso, o Mestre proclama o amor a Deus e ao próximo como a si mesmo, como os pilares de toda aproximação com o Reino de Deus (Cf. Mc 12, 28-34). Não nos iludamos com o infantilismo de um céu pronto em algum lugar pós-morte, pois ele é construído pela consciência do indivíduo transformado e pelo seu vínculo com a comunidade, que atende ao chamado de seguir e proclamar como irmãos o Reino de Deus, com todas as implicações que tal decisão oferecer, pois seremos conhecidos pelos frutos que dermos (Cf. Mt 7, 20) e pelo amor com que nos amarmos (Cf. Jo 13, 35).
Em Jesus, o Reino de Deus inicia-se com a santificação do Nome de Deus, e se manifesta pelo cumprimento de sua vontade, tanto na terra como no céu (Cf. Mt 6, 9). Ele não é feito de ritos ou imagens externas, para satisfazer a vontade de acolhimento daqueles que se sentem abandonados ou mal-amados pelos outros, pelo simples fato de desejarem que todos reconheçam que ele ou ela é cristão ou cristã, pelo simples fato de estar ligado a alguma igreja institucional. Deus vê a intenção em segredo (Cf. 6, 16-18), não o calo dos joelhos em dias de procissão. Deus é conhecido no silêncio de nossa conversão diária, não nos gritos evasivos de nossos choros e alaridos psicológicos. O Reino de Deus é dom gratuito, não exige sacrifícios, longas caminhadas ou feitos mirabolantes, para chamar atenção de quem sobrevive de holofotes (Cf. Lc 11, 39-48). O céu de Jesus, não aquele fabricado por muitos discursos dominicais de hoje em dia, é o céu do serviço, que não se importa em propagar em rede de televisão curas milagrosas, mas de verdadeiramente promover uma mudança radical de atitude no interior de cada pessoa. Por isso, a mensagem de Jesus de Nazaré se fundamenta na morte do grão de trigo (Cf Jo 12, 24), isto é, de nosso velho homem, ainda aprisionado e controlado pelo desejo de posses e reconhecimento social. A purificação da alma somente ocorre com a transformação da mente. E a isso chamamos de Reino de Deus entre os homens e mulheres de boa vontade. Portanto, as ações fecundadas pelo amor serão naturalmente as conseqüências dessa adesão, livre e consciente, ao projeto de Jesus de Nazaré. A isso então chamamos de “céu”.

Jorge Leão
Professor de Filosofia do IFMA e membro do Movimento Familiar Cristão em São Luís – MA.

Uma lei de responsabilidade sócio-ambiental?

Já existe a lei de responsabilidade fiscal. Um governante não pode gastar mais do que lhe permite o montante dos impostos recolhidos. Isso melhorou significativamente a gestão pública.

O acúmulo de desastres sócio-ambientais ocorridos nos últimos tempos, com desabamentos de encostas, enchentes avassaladoras e centenas de vítimas fatais junto com a destruição de inteiras paisagens, nos obrigam a pensar na instauração de uma lei nacional de responsabilidade sócio-ambiental, com pesadas penas para os que não a respeitarem.

Já se deu um passo com a consciência da responsabilidade social das empresas. Elas não podem pensar somente em si mesmas e nos lucros de seus acionistas. Devem assumir uma clara responsabilidade social. Pois não vivem num mundo a parte: são inseridas numa determinada sociedade, com um Estado que dita leis, se situam num determinado ecossistema e são pressionadas por uma consciência cidadã que cada vez mais cobra o direito à uma boa qualidade de vida. 

Mas fique claro: responsabilidade social não é a mesma coisa que obrigação social prevista em lei quanto ao pagamento de impostos, encargos e salários; nem pode ser confundida com a resposta social que é a capacidade das empresas de se adequarem às mudanças no campo social, econômico e técnico. A responsabilidade social é a obrigação que as empresas assumem de buscar metas que, a meio e longo prazo, sejam boas para elas e também para o conjunto da sociedade na qual estão inseridas. 

Não se trata de fazer para a sociedade o que seria filantropia, mas com a sociedade, se envolvendo nos projetos elaborados em comum com os municípios, ONGs e outras entidades.

Mas sejamos realistas: num regime neoliberal como o nosso, sempre que os negócios não são tão rentáveis, diminui ou até desaparece a responsabilidade social. O maior inimigo da responsabilidade social é o capital especulativo. Seu objetivo é maximizar os lucros das carteiras e portofólios que controlam. Não vêem outra responsabilidade, senão a de garantir ganhos.

Mas a responsabilidade social é insuficiente, pois ela não inclui o ambiental. São poucos os que perceberam a relação do social com o ambiental. Ela é intrínseca. Todas empresas e cada um de nós vivemos no chão, não nas nuvens: respiramos, comemos, bebemos, pisamos os solos, estamos expostos à mudanças dos climas, mergulhados na natureza com sua biodiversidade, somos habitados por bilhões de bactérias e outros microorganismos. Quer dizer, estamos dentro da natureza e somos parte dela. Ela pode viver sem nós como o fez por bilhões de anos. Nós não podemos viver sem ela. Portanto, o social sem o ambiental é irreal. Ambos vêm sempre juntos.

Isso que parece óbvio, não o é para a grande parte das pessoas. Por que excluimos a natureza? Porque somos todos antropocêntricos, quer dizer, pensamos apenas em nós próprios. A natureza é exterior, posta ao nosso bel-prazer.

Somos irresponsáveis face à natureza quando desmatamos, jogamos bilhões e litros de agrotóxicos no solo, lançamos na atmosfera, anualmente, cerca de 21 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, contaminamos as águas, destruímos a mata ciliar, não respeitamos o declive das montanhas que podem desmoronar e matar pessoas nem observamos o curso dos rios que nas enchentes podem levar tudo de roldão.

Não interiorizamos os dados que biólogos e astrofísicos nos asseguram: Todos possuímos o mesmo alfabeto genético de base, por isso somos todos primos e irmãos e irmãs e formamos assim a comunidade de vida. Cada ser possui valor intrínseco e por isso tem direitos. Nossa democracia não pode incluir apenas os seres humanos. Sem os outros membros da comunidade de vida, não somos nada. Eles valem como novos cidadãos que devem ser incorporados na nossa compreensão de democracia que então passa a ser uma democracia sócio-ambiental. A natureza e as coisas dão-nos sinais. Elas nos chamam atenção para os eventuais riscos que podemos evitar.

Não basta a responsabilidade social, ela deve ser sócio-ambiental. É urgente que o Parlamento vote uma lei de responsabilidade sócio-ambiental imposta a todos os gestores da coisa pública. Só assim evitaremos tragédias e mortes.

Leonardo Boff

terça-feira, 24 de abril de 2012

CONDIN SE REUNIRÁ EM RONDONÓPOLIS-MT


                                      Rondonópolis-MT recepcionará mefecistas de todas as regiões do Brasil
O
 Movimento Familiar Cristão de Rondonópolis – Mato Grosso recepcionará no período de 25 a 27 de maio, coordenadores regionais do Movimento Familiar Cristão para participarem da 4ª Reunião do Conselho Diretor Nacional (CONDIN) da Gestão 2010/2013, quando extensa pauta será discutida com debates e definições das ações mefecistas para o restante do triênio.

Rondonópolis foi escolhida para sediar o evento durante a 3ª Reunião do CONDIN realizada na cidade de Macapá, Amapá, com a participação dos coordenadores regionais.

O Conselho Diretor Nacional do Movimento Familiar Cristão na 4ª reunião administrativa será presidido pelos mefecistas Eduardo e Ismari (coordenadores nacionais e CONDIR SUL), Antônio Carlos e Ângela (vice-coordenadores nacionais).

Compõe também o Conselho os coordenadores regionais Alzenir e Nereida (CONDIR NORTE), James e Fátima (CONDIR NORDESTE), Freitas e Alivanir (CONDIR SUDESTE), Moisés e Aparecida (CONDIR CENTRO-OESTE) e José Newton e Ariadna (Coordenadores Nacionais da Gestão Anterior).

Os participantes do CONDIN ficarão hospedados nas residências de mefecistas do MFC Rondonopólis.

Durante seus 55 anos de vida o Movimento Familiar Cristão do Brasil construiu sua mística, seus carismas e perseguiu seus objetivos a partir da constante busca pela integração das famílias, reunindo-as em Equipes Base e a partir delas organizando-se numa estrutura que se ramifica por todo o território brasileiro.

A unidade sempre foi possível devido às constantes reuniões e encontros onde é avaliada a caminhada, metas de ação e objetivos, e a 4ª Reunião do Conselho Diretor Nacional será mais um momento de integração que produzirá bons frutos para toda a família mefecista brasileira.

RONDONÓPOLIS

ECONÔMIA
Rondonópolis tem como principal atividade econômica a agropecuária, e na produção de grãos e plumas de algodão seu motor central. No rastro da agropecuária despontam duas grandes atividades econômicas: a agroindústria e o agronegócio (deste último Rondonópolis é um dos maiores destinos turísticos do Brasil, sendo um dos pólos nacionais do turismo rural).

A cidade fica localizada estrategicamente entre duas rodovias federais, a BR 364 e a BR 163, por onde escoa cerca de 30% da produção agrícola do Brasil. Isso faz com que a cidade seja conhecida também como a “Capital Nacional do Bitrem”, graças a frota municipal estimada em cinco mil veículos, administrados por 160 transportadoras, que geram sete mil empregos diretos e 21 mil indiretos. Rondonópolis possui quatro distritos industriais e atrai empresas de grande porte.

TURISMO
O Turismo de Rondonópolis é movimentado pelo agronegócio, mas devido às belezas naturais da região, o ecoturismo já surge como atração para o setor. Outra área que começa a atrair visitantes é o Esporte devido a vários campeonatos de diversas modalidades.

A feira agropecuária Exposul (exposição agropecuária oficial da cidade), realizada pelo Sindicato Rural sempre com o apoio dos órgãos municipais e estaduais, que acontece entre os meses de Agosto ou Setembro de cada ano. A Exposul está entre as dez maiores e mais influentes feiras agropecuárias brasileiras realizadas e que atraem milhares de pessoas de todo o Brasil para o município.

Parque Ecológico João Basso (área de preservação ambiental particular) é formado por cachoeiras, grutas, inscrições rupestres e trilhas que levam à Cidade de Pedra.  Atualmente as visitações estão suspensas aguardado o projeto de plano de manejo do local.   Ha também por toda a região de Rondonópolis uma série de cachoeiras e rios propícios para os amantes da boa pescaria, para a prática de esportes radicais como o rapel ou simplesmente para contemplar a natureza exuberante do cerrado. Todos os anos acontecem vários campeonatos de skate, MotoCross, Fórmula Uno, Festival de Arrancadas, de Vôlei de Praia também e diversos Shows regionais e nacionais que também contribuem para o turismo local.

Para atender a demanda de turistas e visitantes a cidade de Rondonópolis dispõe de um aeroporto municipal que faz a ligação aérea com várias cidades de Matogrosso e do Brasil, através de duas Companhias Aéreas: A TRIP Linhas Aéreas e Passaredo Linhas Aéreas.

ATRATIVOS NATURAIS
Rios, ribeirões, córregos, morros, serras, formações rochosas, trilhas, cachoeiras, cascatas e áreas de preservação ambiental compõem os diversos atrativos turísticos naturais de Rondonópolis.

Em Rondonópolis fica localizada a Reserva Indígena Tadarimana que possui uma área de mais de 9 mil hectares e cerca de 200 habitantes da etnia Bororo. A reserva fica localizada à margem esquerda do Rio Vermelho.

Na cidade fica localizada a Reserva Particular do Patrimônio Natural João Basso, que compreende um complexo de vale encaixado entre chapadas formando uma paisagem cênica de rara beleza, com corredeiras, cachoeiras e afloramentos rochosos. Além disso, o parque forma um ambiente de grande riqueza arqueológica pela presença de inscrições e artes rupestres nas numerosas grutas e cavidades naturais existentes em encostas íngremes.

A Cidade de Pedra é um dos atrativos existentes no Parque Ecológico João Basso. Ela consiste num complexo rochoso com cerca de 1000 hectares e milhares de anos de processo de formação. O local, também denominado de selva de pedra, tem a formação mais peculiar e conhecida do município, com formações de cerca de 100 metros de altura. Recentemente o local foi eleito como uma das sete maravilhas do município.

No Bosque Municipal Isabel Dias Goulart e no Horto Florestal, os moradores da cidade e turistas encontram um local amplo, bonito e bem estruturado, composto de pista de cooper e caminhada, aparelhos de ginástica, banheiros, parque para as crianças e quiosque com venda de água, água de coco, lanches naturais e sucos.

A cidade possui outros atrativos naturais tais como o Parque Municipal do Escondidinho, o Morro do Assentamento Água da Serra, a Serra da Onça, o Morro do Naboreiro, além de 27 quedas d'água que enriquecem as belezas naturais de Rondonópolis.

ATRATIVOS CULTURAIS
Rondonópolis também possui atrativos culturais como os Sítios e Edificações Históricas que contam um pouco da construção da história do município.

O município de Rondonópolis possui um grande potencial para o desenvolvimento do turismo arqueológico. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional - IPHAN, tem em sua catalogação mais de 90 registros de sítios arqueológicos para o município, estando eles localizados em grande parte em aéreas privadas. Dos 92 sítios arqueológicos catalogados foram inventariados 27 sítios, sendo que 26 deles estão localizados em área de proteção, a RPPN João Basso e 01 em propriedade privada sendo ele um assentamento rural.

As pesquisas realizadas nos sítios arqueológicos da RPPN João Basso mostram que a região é habitada há mais de 7 mil anos. As prospecções dentro do parque iniciaram no início da década de 1980 e uma das principais atrações do parque é justamente a visitação aos sítios arqueológicos existentes. São dezenas de sítios arqueológicos existentes na área do parque e a maior parte deles já possuem escavações científicas feitas por missões franco-brasileiras, como o Ferraz Egreja, a Caverna do Cipó, Antiqueira e Arqueiros.

Somente no sítio arqueológico Ferraz Egreja foram coletadas e numeradas mais de 13 mil peças. Nos sítios existem estruturas arqueológicos de diversos tipos, como concentrações de cerâmicas, urnas funerárias feitas com argila, utensílios lascados e polidos, restos de fogueiras, entre outros.

O Casario é um complexo arquitetônico e sócio-cultural que dispõe de um conjunto histórico e cultural carregado de significados. Ele se constitui em um conjunto de 24 casas feitas de adobe e de alvenaria, estilo anos 40, do século XX e dividido em dois blocos em forma de “L”. A primeira casa construída no casario data de 1930, e novas construções foram feitas nas décadas de 50 e 60. Os blocos, cada um com doze casas, localizam-se nas primeiras vias públicas de Rondonópolis, a Rua XV de Novembro e a Avenida Marechal Rondon. O antigo quintal da casa (parte dos fundos do Casario) foi transformado em uma área de circulação ampla, aberta, totalmente calçada com pedras de paralelepípedos, ajardinada, com banheiros públicos, palco e espaço para os comerciantes servirem os visitantes.

O Palácio da Cidadania “Cândido Borges Leal Jr.” consiste no prédio atual da sede do poder executivo municipal. Ele chama atenção no meio urbano de Rondonópolis por ter uma arquitetura pós-moderna, com formas arredondadas e futuristas. As vidraças espelhadas, em tom azul, incrementam o visual. O paço municipal, dividido em dois pisos, impressiona pelo seu tamanho, são aproximadamente 1.500 m² de área construída, adaptada para portadores de necessidades especiais.

O Cais consiste em um atracadouro de concreto estendendo a partir dele uma calçada para passeio público. Foi construído onde, nas décadas de 1930 e 1940, funcionou o primeiro porto de Rondonópolis e marca o local por onde chegaram os pioneiros da cidade. O espaço ganhou uma cruz estilizada, que simboliza a religiosidade cristã da população.

 O Parque de Exposições é o maior espaço para eventos, sendo também um dos maiores parques agropecuários do país. A grandiosidade e a estrutura do parque impressionam a todos que o visitam. O parque tem mais de 500 mil m² de espaço, com 18.500 m² de área coberta. No local existem estruturas para restaurantes, bares, lanchonetes, instalações sanitárias, estacionamento para 4.500 carros, 5,5 m² de curralama, pavilhões de baias para eqüinos e bovinos, Thattersal, pavilhões de leilões, palco central coberto com 300 m², pista de provas hípicas, pista de pouso e uma moderna arena de rodeios e shows para 20 mil expectadores.

O Centro de Eventos Rio Vermelho foi construído com o intuito de realizar eventos diversos para a comunidade. O espaço tem arquitetura moderna e linda vista para o rio Vermelho. O projeto do local foi arquitetado por Nunes da Mata, um dos únicos arquitetos de eventos do país e que é responsável por projetos de diversas estruturas para eventos e também do design de trios elétricos de celebridades do carnaval soteropolitano.

São diversas as feiras livres que acontecem pela cidade, porém são duas que possuem estrutura física construída exclusivamente para atender às necessidades dos moradores e comerciantes. As feiras da Vila Aurora e da Vila Operária são construções em alvenaria que atendem às comunidades de diversos bairros. Ambas as feiras possuem características similares quando a operacionalização, pois têm entrada franca e no local são comercializados produtos diversos, produzidos em Rondonópolis. Há uma gama de variedade gastronômica, porém o carro chefe das duas feiras é o pastel. As duas feiras comercializam produtos advindos de pequenas propriedades e assentamentos rurais. Dentre os produtos comercializados estão: carnes, embutidos, derivados do leite, frutos, vegetais, verduras e produtos artesanais.

O Centro Cultural José Sobrinho possui diversos eventos agendados durante o ano. São inúmeras as manifestações artístico-culturais que possuem espaço dentro dessa instituição cultural. Os artistas locais procuram o centro para demonstrarem seus trabalhos, realizando oficinas, exposições de artes, cursos, amostras e inúmeras atividades.

O espaço onde funciona hoje o museu Rosa Bororo é uma das edificações mais antigas do município e já foi sede da Câmara Municipal de Vereadores. O museu possui inúmeros acervos relacionados à história de Rondonópolis e também ao patrono da cidade, Marechal Rondon.

Existem no município de Rondonópolis duas bibliotecas municipais que atendem estudantes e interessados por leitura e pesquisa. A Biblioteca Municipal Manoel Severino da Silva está localizada na Vila Operária e a Biblioteca Municipal Rachid J. Mamed, no centro. As bibliotecas da cidade dispõem de aproximadamente 20 mil títulos de diversas obras didáticas e para didáticas. A infraestrutura dessas instituições culturais dispõe de salas amplas e instalações sanitárias. As bibliotecas permanecem abertas de segunda à sexta das 07 às 18 horas e a entrada é franca.

TURISMO DE EVENTOS
A cidade é palco, anualmente, de eventos de vários segmentos, são feiras, exposições, festas culturais, tecnológicas e sociais que atinge diversos segmentos, além de eventos religiosos e sociais com cunho filantrópico.